Capítulo 2 – Medo e Sucesso não Combinam!

O medo é uma das sensações primárias no ser humano. De forma incrível, a partir das primeiras experiências com o medo – na infância, criamos padrões que podem continuar influenciando os resultados na idade adulta em praticamente todas as áreas da vida. Podem até se apresentar vestidos com roupas novas, mas a identidade desses padrões permanece a mesma.

Na minha infância, a maioria dos meus amigos passava a maior parte do dia na rua. Vídeo game era para poucos e eu não era um desses. Incansavelmente, eu consumia cada hora do dia com uma atividade diferente. Competíamos uns contra os outros em quase tudo. Corrida de cem metros, corrida de “longa distância” em torno do quarteirão onde morávamos. As meninas se deitavam enfileiradas no chão e saltávamos sobre elas, em alta velocidade com nossas pequenas bicicletas, enquanto imitávamos com a boca o barulho do motor de motos potentes. Nunca ferimos ninguém, graças a Deus, e terminávamos o dia orgulhosos de tudo que havíamos bravamente realizado.

Tudo isso acontecia ali, muito próximo. Eu estava seguro por onde quer que andasse. A casa da “tia Carmem” estava sempre com o portão aberto e, eu entrava e saia como se fosse a minha própria casa. Ito não era um caso isolado. A casa da Cida Ramirez e do “tio Alberto” sempre me rendia alguns trocados. Quando o taxi dele apontava na esquina, eu corria, abria os grandes portões de madeira. Ele passava por mim, baixava o vidro e me dava algumas moedas, que se convertiam em doces quase que instantaneamente. Na rua de cima, a casa da “tia Nice e do tio Geraldo” também era território dominado. A casa era pequena, mas tinha um quintal enorme. Se uma pipa caísse ali, não adiantava pedir. Eram minhas! Na rua debaixo, havia uma casa chamada de “A casa dos carroceiros”. Gente da pesada, mas eles conheciam e respeitavam meu pai. Digamos que isso me ajudava a transitar por ali sem tomar uns cascudos. Mais abaixo, na rua da escola, a casa do “tio Mingo” era um porto seguro. Tudo era familiar.

…mas algumas viagens me perturbavam. Quando alguns meninos, mais ousados me convidavam para jogar bola, andar de bike ou de skate em uma rua de nome desconhecido, perto de uma escola lá não sei aonde, um sinal de alerta acendia e toda aquela leveza sumia.

Estar em lugares desconhecidos sempre foi um problema. E quanto mais longas se mostravam essas “viagens”, mais inquieto eu ficava: minha mãe me encontraria se acontecesse alguma coisa comigo? Meu pai teria chance de me salvar? Eu conseguiria voltar sozinho? Teria energia o suficiente para caminhar toda aquela distância novamente? Eram perguntas das quais me lembro e, claro, o enorme medo que sentia por estar fora da minha zona de conforto, que só muitos anos depois consegui avaliar e entender melhor.

Caminhar sobre os telhados dos vizinhos, subir nos muros atrás de pipas e balões, descer e subir, incontáveis vezes, de bicicleta ou skate, a avenida mais perigosa do bairro, não eram atividades que pareciam consumir qualquer energia até as dezoito horas e cinquenta e nove minutos de cada dia, mas cada novo convite para conhecer territórios desconhecidos era tão pesado e estressante, que, normalmente, não conseguia ficar no local tempo suficiente para uma partida de futebol. O risco de não conseguir voltar realmente me aterrorizava.

Eu imaginei que em idade adulta isso seria só uma história que eu poderia recontar nos almoços de família, mas permita que eu conte uma história mais atual e veja como o padrão continua válido.

Logo depois que me casei, percebi que sempre que nós precisávamos ir a algum lugar desconhecido ou muito distante e nos perdíamos, experimentávamos um grande estresse. A intensidade era tal que deixei de aceitar vários convites para passeios e festas porque assim evitava “discussões”. Talvez a ficha já tenha caído para você, mas eu poderia ter evitado a maioria dessas discussões se tivesse percebido que um padrão que foi estabelecido na infância estava bem ali, vestido com roupas de adulto.

Um medo inconsciente e irracional surgia toda vez que eu precisava ingressar em uma nova viagem e o percurso que poderia ser um tempo em que eu e minha esposa estaríamos nos divertindo, conversando, compartilhando ideias, acabava se tornando um pesadelo que não fazia nenhum sentido.

Hoje, algumas pessoas não entendem porque celebramos o percurso e a chegada de cada novo destino, mesmo aqueles dentro da cidade em que moramos. Rimos, inevitavelmente, da tempestade que fazíamos no pequeno copo d’água.

Acho razoável que, quando criança aquele medo me aterrorizasse, mas não na idade adulta. Oras, mas se não é razoável, porque ele estava presente? Porque eu não o reconhecia.

Você não pode lutar contra um inimigo que não reconhece.

Isso me faz pensar que um dos maiores desafios que todo empresário que deseja ter sucesso em seu negócio ou de todo profissional que busca o reconhecimento profissional é justamente aquilo que eles não reconhecem.

Obviamente, gastaríamos a vida citando todas as questões que podem surgir e, para que este artigo seja útil, quero apresentar algumas ideias que o ajude a caminhar com mais segurança no gerenciamento do seu negócio e da sua carreira.

A primeira ideia importante que quero compartilhar com você é que você precisa identificar perguntas importantes que devem ser respondidas. Não são quaisquer perguntas. São perguntas que você precisa responder a si mesmo para vencer o medo.

Você pode argumentar sobre pequenos passos, pode argumentar sobre a próxima promoção no trabalho, você pode mostrar os números para os próximos doze meses, mas a menos que isso seja a resposta para as SUAS perguntas importantes, não terá importância. Você deve olhar para baixo e ver sobre que degrau estão seus pés. Enxergar em que momento da carreira você está. Que momento do seu negócio.

Muitos profissionais tem vergonha de suas metas para a carreira e do seu desejo de alcançar reconhecimento profissional. Só a honestidade pode levar você adiante. Pare um minuto e responda: o que você vê quando pensa em como estarão sua carreira ou Negócio em cinco anos, que realmente faz seus olhos brilhar? Aquela visão que só de pensar em realizar deixa você eufórico! Qual é a sala na empresa em que você gostaria de ver seu nome na porta? Qual é o faturamento que você gostaria de ver seu negócio atingir, que se você pudesse realmente alcançar, faria com que hoje você tivesse um novo gás, uma nova energia, um novo ânimo para avançar alguns passos em direção a esses objetivos?

Quando se responde a essas perguntas com honestidade, fatalmente, você identificará nelas sonhos enriquecidos por boas motivações.

A explicação é simples e adianto que nada técnica. Se você colocar água em um tanque de gasolina de um veículo convencional, por mais cristalina que seja ou por melhor que seja sua qualidade, não fará com que o motor consiga produzir a energia necessária para funcionar. Cada alvo na vida profissional exige um combustível específico e você precisa saber qual é o seu.

E ainda que este não seja o foco do meu artigo, insisti em manter aqui essas ideias porque sem que você esteja atento para esta questão, seria em vão avançar no caminho.

Agora, isso não é tudo e o motivo do fracasso de muitos profissionais e empresários está justamente nesta verdade: ter uma meta clara é fundamental e ter uma motivação forte é o um grande motor para realizar qualquer projeto, mas contar apenas com isso ainda é como tentar fazer um bolo sem farinha.

Tornar-se capaz de gerenciar o medo – e eis aqui o foco do meu artigo – será seu grande trunfo. Gerenciar o medo não significa apenas “agir apesar dele”. Não, não! O medo precisa ser identificado, encarado, olhado nos olhos e despido. Quando você decide dar esses passos, você volta para o jogo e pode seguir em frente não apenas com a capacidade de realizar, mas com a leveza que lhe permitirá realizar com alegria. Porque não há sucesso sem felicidade.

De certa forma, o relato da minha infância é simplesinho demais – pueril, mas eu aprendi que, o que me deixava aterrorizado não era a distância que estávamos de casa, mas o fato de que eu não reconhecia a presença do medo. Não reconhecê-lo me tornava completamente impotente. Era pior do que lutar contra o vento.

E bastava ter ouvido uma pergunta: Péricles, você está com medo? Ou quem sabe a afirmação de alguém mais experiente: Péricles, o que você está sentindo é medo!

Saber que está com medo não é motivo de alegria para ninguém, mas tomar consciência de que meu maior adversário era o medo, teria feito de mim a pessoa mais feliz do mundo, porque eu poderia ter feito alguma coisa à respeito.

Você está com medo?

Quando pensa no seu sonho profissional, você se percebe com medo? Quem sabe você esteja sofrendo como eu sofri, mas agora lendo este texto, está convencido de que o seu problema é exatamente esse: medo!

Eu acredito que reconhecer o inimigo é o primeiro passo e você acabou de fazer isso.

O próximo passo é encarar o medo. Olhar ele nos olhos. Isto significa que você precisa entrar em contato e entender exatamente o que está acontecendo.

Quando não temos coragem de encarar aquilo que nos traz medo, afirmamos que ainda não somos capazes de olhar para nosso interior, que não acreditamos em nossa capacidade, que não reconhecemos ou desconhecemos nossas habilidades e competências. Que nos julgamos incapazes de nos defender (daquilo que nem sabemos o que é).

Se você está pensando que é exatamente assim que se sente, como quem diz “sim para todas as alternativas”, você não está pronto para o sucesso. Não está pronto para o reconhecimento profissional. A notícia boa é que você não precisa ficar aí parado, na sala do medo.

Há solução e a solução não é só lutar, mas antes saber. Sim, saber que o medo não é seu inimigo. Saber que há uma forma de lidar com ele para que você avance com segurança, porque o medo – ainda que de forma irracional – está querendo proteger você. Quando você entende isso e se prepara bem, emocionalmente, para enfrentar seu desafio, o medo perde o sentido.

A vitória sobre o medo é conquistada sempre em duas batalhas: a primeira é olhando nos olhos do medo e despindo seu enigma aparentemente intocável. Entendendo quem é esse vilão que parece estar contra você. A segunda batalha é olhando corajosamente para dentro de si mesmo, enxergando sem distorções quem você é e quais são os recursos (armas) que você já tem disponível para lutar ou que precisa adquirir para vencer a guerra.

Quem tem ou já teve muito medo entende bem que o medo, silenciosamente, faz muito barulho em nossa vida. Ele assusta, sufoca, inibi. Visto distorcidamente, faz com que você acredite que encontrou seus limites, comprometendo sua capacidade de realizar. Quando você ousa desconfiar das verdades que ele lhe impõe, aceita a convivência para ter oportunidade de despi-lo, surge o seu poder pessoal que o torna forte para conquistar – com alegria – novos territórios.

Sucesso e paz!

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