A Verdade Nua e Crua Sobre Como As Dívidas Afetam Sua vida Profissional

Nem sempre é fácil enxergar como as dívidas estão afetando nosso desempenho profissional.

Nem sempre é fácil enxergar uma conexão entre nossa atividade profissional e as dívidas pessoais.

Não sei se você já ouviu essa ideia, mas eu acredito completamente nisso: toda compra que fazemos é primeiramente emocional. Só depois que os aspectos emocionais são resolvidos é que procuramos argumentos que justifiquem nossa decisão de compra. Toda dívida, por sua vez, é reflexo das nossas compras (ou extensão das nossas compras) e, portanto, exerce uma enorme influência negativa sobre nosso estado emocional e cedo ou tarde, as dívidas vão impactar a qualidade do desempenho profissional.

Há muito que conversarmos sobre isso, mas quero dividi essa jornada em três estágios. Deixa eu te explicar como isso acontece:

Estágio 1: As Primeiras Dívidas.

Durante o Primeiro Estágio, você tem o controle da situação e sabe bem o que está fazendo. Não se trata de desespero. É uma dívida pensada, planejada. Você vai fazer um empréstimo, realizar isso e aquilo e o valor da parcela não comprometerá seu orçamento. Neste ponto, as pessoas não costumam sentir que estão ingerindo veneno. Quando se experimenta a primeira dívida e os seus desdobramentos não são positivos, acaba por funcionar como soro antiofídico, que liberta dos efeitos da picada e interrompe o processo de envenenamento, antes mesmo dele mostrar toda sua força.

Estágio 2: As próximas Dívidas

Depois de avaliar que o primeiro empréstimo funcionou bem na solução de problemas imediatos (normalmente isso significa que o dinheiro serviu para apagar pequenos incêndios orçamentários), pode-se sentir estimulado ao próximo empréstimo, que nem precisa se chamar empréstimo. Ele pode vir com o que chamamos de compras parceladas. Quando abrimos essa porta em nosso orçamento, fecha-la vai exigir um esforço muito maior do que podemos imaginar.

A sensação de alívio imediato que o parcelamento traz ao orçamento, somada a possibilidade de ter hoje o que eu achava que só seria possível em 2 anos, é um presente dos deuses, não é? Só que essa sensação só dura até a página dois!

Há um texto nos Salmos da Bíblia, que deveria estar em Provérbio da Bíblia, o livro de sabedoria: “um abismo chama outro abismo”. Na linguagem da vida financeira, ele seria atualizado para uma dívida chama outra dívida ou uma compra parcelada é um convite para outra compra parcelada. Traduz perfeitamente essa ideia da compra parcelada. Você faz a primeira compra porque vai ajudar a equilibrar o orçamento esse mês, faz a segunda dívida parcelada no mês seguinte, porque é o único jeito de resolver mais um problema que você acha que tem ou de comprar alguma coisa que você acredita que não pode viver sem e, quando você se dá conta, seu orçamento está no vermelho.

Quando você enxerga isso, já não consegue mais fazer um novo empréstimo parcelado. Agora seu salário está 100% comprometido com os parcelados dos meses anteriores e ao perceber que algumas despesas básicas não serão saldadas, você resolve ter mais uma experiência no Mercado financeiro e entra jogo do Troca-com-troco!

Você fala com seu gerente-amigo no banco, ele soma tudo que você deve, passa a régua e faz uma mágica: os seus dois empréstimos vigentes, mais todas as compras parceladas que você fez nos últimos meses se transformam em uma única parcelinha, que não pesa no bolso, vai resolver seu problema orçamentário e você ainda vai economizar nos remédios que não precisará mais tomar para ter um sono tranquilo.

O único problema é que em 90% dos casos, essa solução não dura mais que 6 meses.

Depois disso vem o temido Estágio 3: é quando a gente percebe que ainda temos 42 parcelinhas para pagar daquele empréstimo mágico que surgiu de forma tão mágica quanto o empréstimo anterior, já se somam há outras 7 dívidas parceladas em 3, 5, 6, 8 11, 12 e 18X sem juros. Foi bom enquanto aquelas compras duraram. Foi bom durante aqueles 89 segundos que você aguardou entre entregar o cartão no caixa e a mensagem de compra autorizada expelir seu comprovante de pagamento amarelado.

Agora você não tem saída: o cartão está comprometido e o gerente-amigo não pode mais liberar novos empréstimos.

Este é o que eu chamo de estágio máximo de influência das dívidas sobre nosso desempenho profissional. Quando a gente chega neste ponto, acontecem algumas coisas curiosas:

1. Nosso trabalho deixa de ser tão legal quanto ele era quando nós começamos naquela carreira ou empresa.

2. Surgem muitas dúvidas se escolhemos a carreira correta. Uma voz parece querer nos convencer de que se tivéssemos escolhido aquela carreira e não essa, tudo estaria resolvido, porque ganharíamos o dobro.

2. Surgem também as dificuldades para nos concentrar nas atividades mais simples e, igualmente, nas mais complexas.

3. Os defeitos da empresa, do chefe, dos colegas, do porteiro, do Governo se sobressaem e parece que chegou a hora de atualizar o perfil no Linkedin e rever alguns contatos da agenda para sondar o Mercado.

4. Neste momento, obviamente, seu desempenho já não é mais o mesmo e você é o único que não percebe que todo mundo já notou isso.

A gota d’água é que a partir daí você passa a enxergar o seu trabalho como um embaraço que te impede de resolver o problema das dívidas. Você olha para aquelas oito horas diárias de trabalho como um obstáculo que te impede de ganhar dinheiro suficiente para quitar suas dívidas e voltar a viver em paz com suas finanças.

O trabalho que antes era benção e motivo de alegria, agora é um obstáculo para sua vida feliz. Além de muito triste, esse é o momento mais perigoso na vida profissional. Negligenciamos o que era nossa responsabilidade e agora atribuímos a culpa ao nosso trabalho, ao nosso chefe que não é compreensível com nossa situação financeira, aos colegas que não sabem o que significa empatia e lá no final da lista, vai sobrar até para o cachorro do vizinho, que não faz suas necessidades no local certo, na hora certa ou do jeito certo!

Se você chegou até aqui meneando a cabeça em concordância a tudo que eu disse e está pensando: Como é que ele sabe tantas coisas sobre mim?, tenho mais uma palavra para te dizer: não há mágica que desfaça isso tudo. Não há estalos de dedos, oração, reza brava que solucione isso. Você pode até pensar naquele caso do endividado que entrou por uma porta e no dia seguinte alcançou um milagre, tendo resolvido todos os problemas financeiros que o afligia. Pode pensar naquele amigo do amigo do seu amigo que justamente quando estava caminhando até o banco para declarar sua falência, recebeu uma ligação de primo de oitavo grau, contando que uma tia de vigésimo terceiro grau morreu e deixou uma herança milionária.

Eu acredito em milagres, mas acredito que eles são raros. Só por isso é que são milagres!

O caminho para sair das dívidas e caminhar em direção a independência financeira envolve alguns passos e o seu total compromisso com você mesmo e com o seu futuro.

O primeiro passo é se organizar. Acredite: vai doer. É como sentar na maca e dizer: Doutor, faça o que precisa ser feito! Sente-se com papel e caneta e comprometa-se a se levante somente quando tiver uma ideia clara de quanto você deve. Resista a tentação de fazer algumas contas de cabeça. Trazer para o papel vai ajudar você a ter uma visão mais realista do problema. A maioria dos meus alunos se assusta porque descobre que deve muito mais do que pode imaginar, mas não se desespere com isso. Vai lá e enfrenta! Se você não souber o tamanho da sua dívida, ficará muito mais difícil saber como resolver o problema.

O segundo passo é se responsabilizar pelo estrago que você promoveu em sua vida financeira. Não importa se você teve culpa no cartório ou não teve. Você tem que se responsabilizar. Não importa se você se enrolou com o carnê ou com a fatura do cartão de crédito. Você tem que se responsabilizar. Não importa se o gerente te deu um cartão de crédito com o limite maior que seu salário ou se alguém te deu o golpe do baú. Você precisa se responsabilizar. E entenda uma coisa; responsabilizar-se pela montanha de dívidas que você fez não é aplicar 40 chibatadas em si mesmo ou chamar a si mesmo de estúpido a cada nascer do sol. Responsabilizar-se e assumir que o que está feito está feito e que você vai encontrar uma solução para o problema. (Faça uma oração pedindo sabedoria, mas procure seus credores, tenha conselheiros, contrate um advogado.)

O terceiro passo é construir uma estratégia para reconquistar o controle da sua vida financeira. Quase sempre o erro não está na simplicidade da estratégia, mas no prazo que as pessoas querem fazer isso acontecer. Sei que esse é o artigo mais duro que já escrevi, mas você chegou até aqui, então deixa eu ser muuuuito honesto com você: se eu contei sua história até aqui, você certamente demorou alguns anos para ter toda essa dívida. Então, por que acha que é sensato pensar em liquidá-la em dois meses? Metas irreais levarão você a frustrações bem reais e duras de enfrentar. Seja ousado ao estabelecer seus alvos, mas seja realista.

Você pode ter tido algumas ideias que complementam esses três passos ou que se mostrem mais adequadas para sua realidade, mas tem um passo que não pode – em hipótese nenhuma – ser negligenciado: sua mentalidade financeira. Preocupar-se em examinar sua mentalidade financeira e fazer as mudanças necessárias para que você possa construir um futuro financeiro de sucesso é tão importante quanto qualquer outro passo nessa jornada, mas, ao mesmo tempo, é especialmente importante porque só com uma mudança no seu jeito de olhar para o dinheiro e de pensar sobre sua vida financeira que você pode gerar mudanças duradouras. Todos nós conhecemos alguém que jurou de pés juntos que não entraria mais em dívidas, mas que sempre volta àquele ponto crítico. Crenças de que “o dinheiro é sujo”, que “só ganha dinheiro quem tem dinheiro”, que “o dinheiro é a raiz de todos os males”, que “para mudar a situação, só se você ganhar na Mega-Sena”, podem estar na base desse comportamento. Trabalhar insistentemente para mudar essa mentalidade será decisivo para que você escreva um novo capítulo em sua história.

Pensar em ter uma vida financeira bem resolvida pode ser apenas um sonho neste momento, mas entender que, só quando você tratar essas questões em sua vida será possível resgatar sua motivação e felicidade para trabalhar com a mesma energia que você tinha lá nos primeiros dias, que só quando você recuperar o controle da sua vida financeira voltará a uma produtividade diária em Alta Performance e que, para além dos limites da sua vida profissional, saber que o reencontro com seu o equilíbrio emocional está em criar essas mudanças na forma como você pensa e gerencia seu dinheiro, deveria fazer com que você decidisse agora quais serão as mudanças que você escolhe fazer ainda hoje para mudar essa realidade.

Deixe sua opinião aqui nos comentários, que eu vou adorar saber o que você pensa e que topa enriquecer essa discussão com sua opinião, além de não deixar que exista um ponto final para este artigo. Vamos juntos?

Péricles Bonfim é Palestrante, Coach Financeiro e ajuda pessoas a mudar sua visão sobre dinheiro e caminhar em direção à Independência Financeira. Entre em contato: pericles.coach@gmail.com ou (11) 99278-7077

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