3 lições de Gestão de Carreira que Você deveria aprender com a Cantora Anitta

Cantora, Compositora, Gestora e Workaholic. É assim que ela se define no twitter. Com mais de trinta milhões de seguidores nas redes sociais e pouco mais de um bilhão de visualizações no Youtube, a jovem de 23 anos vem fazendo barulho no mundo da música e dos negócios. A forma como se posiciona e gerencia sua própria carreira revela qualidades e características que todo gestor gostaria de ver em suas equipes no mundo corporativo. Será?

Em nossa “patota corporativa” é muito fácil acreditar é possível aprender tudo que um profissional de alto nível precisa saber olhando para vida de Steve Jobs, Larry Page e Sergey Brin da Google ou quem sabe para Reed Hastings da badalada Netflix. Cá entre nós, pura verdade! Ninguém discorda de que seja mesmo o suficiente, mas não vão discordar também que seria pouco provável – muito pouco provável – que alguém recomende a quem almeja o topo da Corporação, que olhe para história da Anitta se quiser aprender como chegar lá.

Não há extensa biografia sobre a moça. O que a mídia diz a seu respeito, parece depender muito mais do humor de quem escreve do que de qualquer outra coisa, mas com base em algumas declarações da cantora, destaco três preciosas lições de Gestão de Carreira que eu e você deveríamos aprender com a Anitta!

1. Clareza é o recurso mais poderoso para fazer uma excelente gestão de carreira.

A primeira lição e sem dúvida a mais importante é que você não pode fazer Gestão daquilo que não vê. Clareza é o recurso mais poderoso para fazer uma excelente gestão de carreira. Olhar três, quatro, cinco anos à frente do seu tempo e dizer, eu estarei lá, e passado o período, o mundo noticiar que você chegou exatamente onde disse que chegaria, é a maior prova de eficiência na Gestão de Carreira e a espécie mais preciosa de reconhecimento.

Sabe quando o estagiário olha para você após quarenta dias de trabalho e diz que em alguns anos será presidente da empresa e isso soa tão pueril, que você simplesmente ignora? Foi assim que a grande mídia e muitos críticos receberam a informação de que Anitta trilharia uma carreira internacional e que estaria entre as divas da música mundial. Ninguém espera que do mundo do Funk-pancadão surja alguém com esse tipo de ambição ou que possuam qualificação para isso. É puro preconceito, eu entendo, mas atire a primeira pedra quem terminou seu segundo MBA, ainda não chegou ao seu primeiro milhão e não carrega nenhum questionamento do tipo: como ela chegou e eu não? Menos de três anos depois da polêmica declaração, ela assinou um contrato com a WME, agência internacional que representa a carreira Rihanna, Maroon 5, Adele, dentre outros.

O que impressiona não é a grandeza dos nomes, mas a clareza de propósito da garota. Ela ensina que o foco – uma das características mais admiradas em qualquer profissional de alta performance – é resultado do nível de clareza que você tem sobre aquilo que deseja para sua vida. T. Harv Eker diz que tudo que você foca, expande. Quem sabe minhas próximas palavras sejam apenas paráfrase das de T. Harv, mas eu acredito que quanto maior é a consciência sobre seu propósito de vida, mais fácil se torna abrir mão de qualquer outra meta ou distração que concorra com seu sucesso.

2. É possível encantar nossos stakeholders usando apenas aquilo que já temos.

A segunda lição que aprendi com a Anitta foi que é possível encantar nossos stakeholders usando apenas aquilo que já temos. Ser surpreendido é algo que todos nós gostamos de experienciar e, independente de que lado da mesa você está, todos entendemos a importância de proporcionar este tipo de experiência. A pergunta aqui é sempre a mesma: como? Como saber que já tenho o que vai encantar e surpreender as pessoas? Autoconhecimento. É a resposta mais direta que posso oferecer. Parece balela ou papo de terapeuta, mas nada mais poderoso do que você usar esse conhecimento como uma ferramenta estratégica para ter êxito no que realiza.

Porque o encantamento é expressão de talento natural ou adquirido. Independente da origem, trata-se sempre de uma habilidade altamente desenvolvida. Contudo, aquilo que fazemos muito bem, pode passar despercebido por se tratar de uma habilidade que acreditamos ser um comportamento simples ou apenas uma habilidade comum, com a qual nascemos e que imaginamos fazer parte da vida de ao nosso redor. Na verdade, ela pode ser o trunfo de que precisamos para fazer gestão da carreira de forma eficiente, gerando posicionamento estratégico. O que não pode fugir do seu radar é que aquilo que você não conhece, também não reconhece. Se você não é capaz de enxergar em si mesmo, também não é capaz de usar a seu favor. E a cantora mostrou que conhecia bem essa lição.

Enquanto se preparava para sua turnê internacional, Anitta desejava surpreender sua audiência no Japão e estabeleceu como desafio para si, chegar lá se comunicando na língua nativa. Ela poderia ter preparado um espetáculo exclusivo, inovador ou ter usado qualquer parafernália pirotécnica dos grandes Shows, mas sua decisão foi simples e poderosa. Usou sua habilidade e paixão por aprender novas línguas e contratou uma professora que a ajudou a aprender algumas palavras da Língua japonesa para que surpreendesse seu público. Partiu do mais simples. Partiu do que já tinha em mãos. Trabalhou com o que executaria mais facilmente e que poderia causar um grande impacto nas pessoas. E se você já ouviu seu cantor ou banda predileta subir ao palco e conversar contigo, ainda que com um português dos mais enrolados, sabe o impacto que isso causa.

3. Os três crivos da boa estratégia: é clara? É eficiente? É divertida? Sim? Então sua estratégia é boa!

A terceira lição é que ela está sempre traçando metas que possam aliar diversão e estratégia. “Trabalhar é coisa séria” significa tão somente que se trata de uma atividade que fazemos com responsabilidade e para alguém com quem temos um compromisso. Questionada se a parceria com Maluma, um cantor colombiano de muito sucesso, foi estratégica e visava alavancar sua carreira para além das fronteiras brasileiras, disse que não e que algumas coisas em sua carreira são resultado de puro “desejo artístico”. Não questiono o quanto é sincera a declaração, mas tive dificuldade para me desvencilhar da ideia de que aliar diversão a minha estratégia de trabalho deveria ser um dos meus alvos.

A pergunta que precisa ser respondida aqui é: como posso dar meu toque pessoal? Como posso fazer do meu trabalho, a minha obra de arte? A minha resposta é que “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. A gente quer mais!

Isso significa ter em a si mesmo em perspectiva enquanto trilha a jornada da carreira profissional. Significa compreender que quem pisa o caminho é mais importante que a própria jornada. Somente o olhar para si com generosidade torna mais fácil encontrar contentamento apenas “no estar fazendo” o seu melhor, com o que há de melhor em sua identidade a cada novo dia.

O menos é mais. Sentença curta, eficiente, apropriada. A moça tem clareza do que quer e de onde pretende chegar. Enxerga no simples um caminho para eficiência. Valoriza a si mesmo o suficiente para não aceitar estratégias que roubem sua alegria ou excluam toda oportunidade de se divertir. Parece um bom caminho! O que você acha?

Bem lá no começo do texto, escrevi que Anita se define como Cantora, Compositora, Gestora e Workaholic. Como roqueiro de coração, eu não tenho nenhuma afinidade com o que canta e compõe a pop star. Contudo, acredito que com tantos projetos acontecendo ao mesmo tempo, ela seja mesmo Workaholic. Agora, quanto a se definir como gestora, não sei o meu texto convence, mas, sinceramente, já não posso ignorar que ela também tenha muita coisa boa para mostrar e eu para aprender.

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